Iniciativa estratégica para proteger uma das regiões mais ricas em biodiversidade do país, o Programa de Conservação de Espécies Ameaçadas da APA de Guapi-Mirim e ESEC da Guanabara na Baía de Guanabara (PCEA-BG) desenvolve um trabalho importante para a preservação de espécies ameaçadas de extinção na região, como o boto-cinza, as tartarugas marinhas, o caranguejo guaiamum, além de diversas aves e peixes.
Estabelecido pela condicionante formalizada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e instituída pelo IBAMA no âmbito do licenciamento ambiental da Etapa 3 do Polo Pré-Sal, o Programa está estruturado em quatro fases integradas, que compreendem levantamento de estudos e identificação de lacunas de conhecimento, elaboração do plano de ação, execução de estudos técnicos e monitoramento, bem como implementação das medidas de conservação.
As primeiras fases do Programa, concluídas em 2025, estabeleceram uma base técnica robusta para o planejamento das próximas etapas, com a participação de especialistas para elaboração de diagnósticos, respostas às questões-chave para cada grupo de fauna, além de consolidar a literatura relevante em catálogos. Em seguida, os profissionais realizaram análises críticas sobre a necessidade e prioridade de implementação de programas de conservação para cada grupo ou espécie, formulando Planos de Ação para Conservação com enfoque local.
Responsável pelo Programa, a engenheira ambiental da Petrobras Dilian Angelica Duarte Freire destaca que a iniciativa tem como diferencial a aplicação do conhecimento científico direto para a prática no campo, garantindo que os resultados gerados sejam aplicados diretamente na conservação. “Um dos principais pilares do Programa é o uso de espécies sensíveis às alterações ambientais como indicadores da qualidade do ecossistema, permitindo a identificação precoce de impactos. Alguns desses organismos, como boto-cinza e quelônios marinhos podem atuar como espécies guarda-chuva, pois através das ações de conservação aplicadas a elas, outras espécies, que não possuem o mesmo apelo com o público ou políticas públicas direcionadas, também se beneficiam”, explica.
Colhereiro (Platalea ajaja)
Atualmente na fase de contratação para a execução de estudos técnicos, monitoramento e implementação das medidas de conservação de forma integrada, o Programa tem papel fundamental na geração de informações sobre o estado de conservação da biodiversidade na Baía de Guanabara, permitindo a identificação de lacunas de conhecimento e o direcionamento de ações mais eficazes de gestão ambiental, em alinhamento com os Planos de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN).
Segundo Dilian, os resultados produzidos subsidiam a proteção de áreas estratégicas, contribuindo para a conservação de ecossistemas essenciais, como os manguezais. “Além do avanço técnico-científico, o projeto fortalece a gestão ambiental na região ao apoiar processos de tomada de decisão e o cumprimento de exigências do licenciamento ambiental. A iniciativa também promove o envolvimento de comunidades locais, incluindo pescadores e catadores artesanais, incentivando práticas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais. A participação social é ampliada por meio de ações de educação ambiental, que contribuem para o engajamento da população e para a valorização do território”, ressalta.
Apresentação do PCEA na APA de Guapi-Mirim
Conheça as espécies e grupos de espécies da fauna ameaçada contemplados no PCEA-BG