Técnico de monitoramento e monitor de campo em atendimento e registro biométrico de uma Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) / Beatriz Della Méa/Udesc
Quando começa o inverno no Hemisfério Sul, espécies migratórias como pinguins, baleias e lobos-marinhos saem de águas mais frias, como as do sul do Chile, da Argentina e até mesmo próximas ao continente Antártico, em busca de condições mais favoráveis de sobrevivência no litoral brasileiro.
Ao longo do trajeto, os animais enfrentam mudanças bruscas de temperatura, escassez de alimento ou podem se ferir em petrechos de pesca ou com lixo jogado no mar. Como consequência, vários animais podem chegar debilitados ou até ser encontrados mortos nas praias.
Para proteger as espécies e aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela Petrobras em cumprimento às condicionantes do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, conta com equipes técnicas especializadas para resgate de animais e monitoramento das praias entre Laguna/SC e Saquarema/RJ.
Neste período de migração, as equipes reforçam os canais de acionamento da comunidade para casos de avistamento de animais encalhados, que são encaminhados para atendimento veterinário, seja para necropsia de animais mortos ou reabilitação de vivos, para coleta de dados que ajudam a compreender ameaças à fauna marinha.
Os pinguins estão entre as espécies mais encontradas
Espécies mais comuns encontradas nas praias no inverno
Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do Trecho 10, executado pelo Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, explica que o início do inverno representa um período de aumento significativo na ocorrência de fauna marinha. Entre os registros mais comuns estão os pinguins-de-Magalhães, que chegam ao Brasil durante sua migração a partir da Patagônia em busca de alimento. “Nesse processo, muitos indivíduos, principalmente juvenis, acabam se desorientando ou chegam debilitados, o que explica a alta frequência de encalhes nesse período. Também se tornam mais frequentes as baleias-jubarte, que utilizam o litoral Sudeste como rota migratória ao se deslocarem das áreas de alimentação no Sul para as áreas reprodutivas no nordeste brasileiro”.
O inverno também marca o aumento na presença de pinípedes, grupo de mamíferos marinhos adaptados à vida aquática e terrestre, como focas, leões-marinhos e morsas. “Esses animais utilizam as praias como áreas de descanso durante deslocamentos naturais, podendo também encalhar debilitados após longos períodos de deriva ou dificuldade alimentar. Eventualmente, também são registrados indivíduos de espécies de ocorrência mais rara e de origem subantártica ou antártica, como o elefante-marinho-do-sul e a foca-caranguejeira, cuja presença está associada a eventos oceanográficos específicos, como anomalias de temperatura, intensificação de frentes frias e transporte passivo por correntes de larga escala”, explica Carla.
A assistente técnica Samira Effting, ressalta que no Trecho 1, executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), a chegada das primeiras frentes frias e das correntes vindas do sul atrai outras espécies além de pinguins e mamíferos marinhos. “Observamos com mais frequência aves marinhas migratórias, como albatrozes, petréis e pardelas, além de outras aves pelágicas e costeiras. Também é comum o registro de tartarugas marinhas, como a tartaruga-verde e a tartaruga-cabeçuda, muitas vezes relacionadas à interação com a pesca, principalmente por captura incidental”.
Técnica de monitoramento e monitor de campo realizando isolamento de área de descanso de um Lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) / Beatriz Della Méa/Udesc.
Cuidados ao encontrar um animal na praia
Ao encontrar um animal na praia, a orientação é acionar as equipes do PMP-BS pelo 0800 e evitar o contato direto com o animal, seja por curiosidade ou tentativa de ajuda.
Segundo Samira, é preciso manter uma distância segura e evitar aglomeração de pessoas. Além do risco de mordidas e acidentes, o contato causa estresse, pode agravar lesões e até transmitir doenças, tanto para o animal quanto para as pessoas. “Um ponto muito importante é não devolver o animal ao mar. Se ele está fora da água, existe um motivo. Ele pode estar debilitado, ferido ou simplesmente precisando descansar. Então, nesse momento, a melhor forma de ajudar é justamente evitar interferências e aguardar o atendimento especializado”, reforça.
Outro erro comum é colocar animais, como pinguins, dentro de coolers ou caixas térmicas com gelo, geladeiras ou ambientes com ar-condicionado. “Como a maioria das pessoas sabe que esses animais vivem em locais de neve e gelo, pensam que estariam passando mal fora de um local refrigerado. Na verdade, eles aguentam estas condições naturais frias apenas quando estão saudáveis e conseguem manter sua temperatura corporal. Quando estão debilitados, estão fracos e não têm reserva energética suficiente para manutenção da temperatura, e colocá-los em locais frios acaba os forçando a gastar mais energia para tentar aguentar o frio e pode os levar a um estado de hipotermia”, ressalta Carla.
Como acionar o PMP-BS
Os frequentadores das praias dos municípios abrangidos pelo projeto podem colaborar acionando as equipes sempre que avistarem um animal marinho — vivo ou morto — por meio dos seguintes telefones:
PMP Área SC/PR e Área SP: 0800 642-3341
PMP Área RJ (de Paraty até Praia da Vila em Saquarema): 0800 999-5151