Um animal marinho encalhado na faixa de areia pode despertar curiosidade e mobilizar quem passa pela praia. Tartarugas, aves marinhas, pinguins e lobos-marinhos estão entre as espécies que podem ser encontradas no litoral brasileiro.
Caso você se depare com essa situação, mantenha distância, não toque no animal e acione imediatamente o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
A orientação vale tanto para animais vivos quanto para aqueles encontrados mortos. A espécie e a condição do animal exigem avaliação específica, feita por profissionais capacitados e com equipamentos adequados.
Intervenções como alimentar, oferecer água, remover da praia ou tentar devolver o animal ao mar podem agravar seu estado de saúde e gerar riscos às pessoas e aos animais domésticos.

“Enquanto a equipe não chega, a pessoa pode procurar um profissional salva vidas e isolar a área, limitando a chegada de pessoas e animais. O que se assemelha para o manejo das espécies que normalmente encontramos no nosso litoral é o dever de reduzir ao máximo os picos de estresse do animal, evitando sons altos, pessoas ao redor e movimentos bruscos”, explica Fernanda Vargas Bastos, coordenadora do Trecho 15 do PMP-BS, em Maricá (RJ), pela Econservation.

Fauna diversa no litoral
No Trecho 13, em Itacuruçá (RJ), o coordenador Vitor Aguiar Ferreira da Silva destaca a ocorrência de tartaruga-verde, tartaruga-cabeçuda, biguá, atobá-pardo, fragata e gaivota. Segundo ele, o perfil dos encalhes pode variar conforme o local, as atividades humanas na costa e eventos climáticos.
O monitoramento contínuo permite identificar essas mudanças ao longo do tempo e ampliar o conhecimento sobre a saúde da fauna marinha. Para a população, a contribuição começa com uma atitude simples: ao encontrar um animal na praia, observar de longe, proteger o local e chamar quem está preparado para atender.
Primeiro passo: comunicar
Ao encontrar um animal marinho na praia, entre em contato com a equipe responsável pelo monitoramento o quanto antes.
No trecho do Rio de Janeiro, de Paraty até Praia da Vila em Saquarema, o canal de atendimento do PMP-BS é o telefone 0800 999 5151. No litoral de São Paulo, o atendimento do PMP-BS pode ser acionado pelo telefone 0800 642 3314. No litoral do Paraná e de Santa Catarina, a população pode entrar em contato pelo 0800 642 3341.
Para agilizar a mobilização, quem fez o avistamento deve informar:
- Município, nome da praia, ponto de referência próximo e localização precisa, quando possível;
- Se o animal está vivo ou morto;
- Condição aparente, como ferimentos, sangramento, presença de redes, anzóis ou outros materiais;
- Fotos e vídeos feitos a uma distância segura; e
- Informações sobre riscos no local, como maré próxima, grande circulação de pessoas ou presença de cães.
Essas informações ajudam a equipe técnica a identificar preliminarmente a espécie, avaliar a gravidade da ocorrência e preparar o atendimento antes de chegar ao local.

O que não fazer
Muitas vezes, na intenção de ajudar o animal, a pessoa que o encontrou pode produzir o efeito contrário.
“Nunca devemos tocar, alimentar, oferecer água, molhar, arrastar ou tentar devolver o animal ao mar. Também não se deve retirar redes, anzóis ou outros materiais presos ao corpo. Apesar da boa intenção, essa interação pode aumentar o estresse e agravar lesões”, explica Ana Cláudia Nunes, do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR.
O contato também traz riscos sanitários. Animais silvestres podem reagir defensivamente mesmo quando parecem debilitados, e há possibilidade de transmissão de agentes infecciosos entre fauna, pessoas e animais domésticos.
Como aguardar a equipe
Depois do acionamento, o mais importante é reduzir as fontes de estresse e manter o espaço protegido. Em alguns casos, a equipe poderá orientar ações específicas por telefone.
Para tartarugas marinhas, por exemplo, pode ser indicado cobrir a carapaça com uma toalha ou pano úmido, se houver, sempre seguindo a orientação dos técnicos. O objetivo é evitar o ressecamento e preservar a condição do animal até a avaliação especializada. Os procedimentos, no entanto, variam conforme a espécie.

Animais mortos também importam
Animais mortos também devem ser comunicados ao PMP-BS. Carcaças não devem ser tocadas, removidas ou enterradas pela população, tanto por motivos sanitários quanto pela importância científica das informações que podem fornecer.
“Esses animais possuem grande importância para o monitoramento ambiental”, explica Rosane Fernanda Farah, do Instituto Gremar, do Trecho 9 do PMP-BS.
O registro da espécie, do tamanho, do sexo, da condição da carcaça e do local de ocorrência contribui para o monitoramento da biodiversidade marinha. Dependendo do caso, a equipe pode realizar necropsia e coletar amostras para investigar possíveis causas de morte, doenças e interações com atividades humanas — como ingestão de resíduos ou captura acidental.
“Esses dados contribuem para compreender alterações e ameaças presentes no ambiente. Por isso, mesmo quando não há necessidade de resgate de um animal vivo, a comunicação da ocorrência é fundamental”, complementa Rosane.